terça-feira, 18 de agosto de 2015

A saudade será eterna...


Nos últimos dias tenho pensado bastante na minha princesinha. Vejo o seu mano crescer e fico imaginando se ela estivesse aqui. Cada sorriso dele imagino o dela... 
Mas como disse na última postagem a vida continua. Hoje o medo gradativamente vai se tronando "natural", sem exageros, medo normal de toda a mãe. Ter o Gabriel foi uma benção de Deus, que me realizou como pessoa e me fez perceber que no coração de mãe tem espaço pra todos seus filhos, nem mais pra um nem menos pra outro. Amor igual até pra os que se tornaram anjos.
Sei que muitos pais que leem o blog não podem ou não querem mais se aventurar em uma nova gestação, mas acho que todos precisam ter um novo sentido pra vida. Sabe aquele lema: plantar uma arvore, escrever um livro e ter um filho... pois é, acredito que temos que remodelar nossa vida após uma perda tão grande como a de um filho. Fazer novos planos!
Não podemos querer a vida que levávamos antigamente, até porque ela NUNCA mais será a mesma. Ela no inicio será um pesadelo, mas com o tempo se você souber remodelar sua vida ela tende a ficar mais leve e tudo se torna diferente. O diferente que digo é sabe quando tomamos um sorvete de chocolate na rua em um dia de muito calor? Quando caminhamos apenas para observar as flores e pássaros que passam no nosso caminho? Quando sentimos aquele cheiro do perfume de nossa mãe que nos remete a infância?  
Coisas que com o passar do tempo paramos de fazer, sentir ou observar. Nos tornamos como pedras fixas nos nossos compromissos do dia a dia. Uma fatalidade como a perda de um filho pode nos fazer enxergar e sentir coisas que a maioria das pessoas nem lembra. E são coisas boas!
Nem tudo ficará pra sempre ruim, nem tudo será pra sempre um pesadelo! Os 19 dias que estive com minha filha na UTI de pesadelo agora se transforam em um sonho, um sonho lindo que conheci um anjo.
Vejo muitas mães ao meu redor com filhos pequenos e percebo que eu aproveito e curto meu pequeno Gabriel com uma intensidade muito maior. Não digo que eu ame mais que elas, claro que não, mas como eu conheço a ausência de um filho sinto que meus segundos ao lado dele são melhor aproveitados, com mais paciência, mais dedicação. Quero ensinar pra ele valores diferentes do que tinha em mente pra Cecília, coisas que aprendi com ela e com a ausência dela. 
Gosto de pensar que Deus me deu a oportunidade de ser uma pessoa melhor e tentar tornar tudo a minha volta melhor. É isso que quero passar ao meu filho... que gentileza gera gentileza, que dinheiro não vale a felicidade, que temos que valorizar e aproveitar cada segundo com quem se ama, que a paciência é difícil mas recompensadora e que não há momento ruim que não acabe...
Fiquem com Deus


As fotos de cima são do meu príncipe e as de baixo da minha princesa. Meus amores para essa e outras vidas!